A Bíblia é o livro mais lido, mais traduzido e mais influente da história da humanidade, porém muitos católicos ainda têm dúvidas básicas sobre sua estrutura, sua composição e o modo correto de lê-la. Saber quantos livros a compõem, como estão organizados, quem os escreveu e sob qual autoridade foram reunidos no cânon sagrado são conhecimentos fundamentais para quem deseja crescer na fé e aprofundar-se na Palavra de Deus.

Este guia responde às perguntas mais frequentes sobre as Sagradas Escrituras, sempre à luz do ensinamento da Igreja Católica, para que você possa ler a Bíblia com maior proveito espiritual e intelectual.

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1. O que significa a palavra "Bíblia"?

A palavra Bíblia vem do grego "biblía", que significa "livros". Etimologicamente, portanto, Bíblia designa o livro por excelência, o livro dos livros. Essa denominação expressa a convicção de que, entre todos os escritos produzidos pela humanidade, nenhum se compara em dignidade e importância às Sagradas Escrituras, pois nelas Deus fala diretamente aos homens para revelar-lhes o caminho da salvação.

2. Em quantas partes a Bíblia se divide?

A Bíblia divide-se em duas grandes partes, o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo Testamento é a coleção dos livros sagrados que contêm a história da aliança contraída por Deus com Abraão e o seu povo, bem como as condições e as leis desta aliança. O Novo Testamento, por sua vez, é a coleção dos livros sagrados que contêm a história da nova aliança contraída por Jesus Cristo com os homens, sancionada com o seu sangue, juntamente com as principais condições e leis desta aliança.

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3. Quantos livros compõem a Bíblia Católica?

Segundo o Concílio de Trento, são 73 os livros da Bíblia, sendo 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Essa quantidade difere das Bíblias protestantes, que possuem apenas 66 livros, pois os reformadores do século XVI removeram sete livros do Antigo Testamento (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 Macabeus) e partes de outros dois (Daniel e Ester). A Igreja Católica preserva o cânon completo, reconhecendo esses livros como divinamente inspirados desde os primeiros séculos.

4. Como os livros do Antigo Testamento estão organizados?

Os 46 livros do Antigo Testamento podem ser divididos em quatro categorias, conforme o assunto e a forma. O Pentateuco ou a Lei compreende os cinco primeiros livros (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Os Livros Históricos incluem Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester e 1 e 2 Macabeus. Os Livros Didáticos ou Sapienciais são Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico. Os Livros Proféticos englobam os quatro profetas maiores (Isaías, Jeremias com Lamentações e Baruc, Ezequiel e Daniel) e os doze profetas menores (Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias).

5. O que é o Pentateuco e por que é tão importante?

O Pentateuco é o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia, nos quais Moisés narra a história do povo de Israel desde a criação do mundo até a entrada na Terra Prometida. O Gênesis serve de introdução e conta a história desde as origens até a morte de José. O Êxodo descreve as tribulações do povo sob o domínio dos Faraós, os prodígios operados por Deus para libertá-lo, a promulgação da Lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Levítico contém as leis relativas ao culto divino. O livro dos Números narra a peregrinação pelo deserto desde o Sinai até às portas da Terra Prometida. O Deuteronômio consiste principalmente em discursos nos quais Moisés exorta o povo à observância da Lei, recordando os benefícios recebidos e prometidos por Deus.

Creación de Adán (Miguel Ángel)

6. Quais são os livros do Novo Testamento e como estão organizados?

Os 27 livros do Novo Testamento também se dividem em categorias. Os Livros Históricos compreendem os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e os Atos dos Apóstolos. Os Livros Didáticos incluem as quatorze Epístolas de São Paulo (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filêmon e Hebreus) e as sete Epístolas Católicas (Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas). O único Livro Profético do Novo Testamento é o Apocalipse de São João.

7. O que significa dizer que a Bíblia é "inspirada"?

A inspiração bíblica é uma doutrina fundamental da fé católica. Segundo o Papa Leão XIII na encíclica Providentissimus Deus, a inspiração consiste em que Deus, sobrenaturalmente, excitou e moveu os hagiógrafos (autores sagrados) a escrever, e lhes assistiu no seu trabalho, de forma que devidamente pensassem, fielmente quisessem realizar, e de fato exprimissem com infalível verdade tudo e só aquilo que Ele mandava. Desta forma, Deus é a causa principal da Escritura, e o homem é a causa instrumental. O instrumento humano conserva sua forma própria, incluindo estilo, qualidades e até imperfeições linguísticas, mas o conteúdo transmitido é garantido por Deus.

8. A Bíblia foi escrita em quais línguas?

A Bíblia foi escrita originalmente em três línguas. A maior parte do Antigo Testamento foi composta em hebraico, a língua do povo de Israel. Algumas porções menores do Antigo Testamento (partes de Daniel e Esdras) foram escritas em aramaico, língua semítica aparentada ao hebraico que se tornou comum na região após o exílio babilônico. O Novo Testamento foi escrito inteiramente em grego, a língua franca do mundo mediterrâneo na época dos Apóstolos, o que facilitou a difusão do Evangelho por todo o Império Romano.

9. O que são os Evangelhos e por que são apenas quatro?

Evangelho é uma palavra de origem grega que significa "boa nova". Empregada pelos escritores sagrados do Novo Testamento, ela designa a boa nova por excelência, que é a redenção trazida à humanidade por Jesus Cristo. São apenas quatro os Evangelhos reconhecidos pela Igreja como divinamente inspirados, a saber, os Evangelhos segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. Embora outros evangelhos tenham sido escritos por hereges ou por cristãos animados de falso zelo, a Igreja sempre os rejeitou como não inspirados. Os quatro Evangelhos canônicos oferecem testemunhos complementares sobre a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

10. O que são os Salmos e para que servem?

Os Salmos são hinos sagrados por meio dos quais o povo de Deus costumava louvar o Senhor, implorar a sua misericórdia, agradecer os benefícios recebidos e recordar os prodígios da providência divina em favor de Israel. Foram compostos por vários escritores sagrados, sendo Davi o autor da maior parte. O Livro dos Salmos, também chamado Saltério, contém 150 salmos e constitui o livro de orações por excelência da Igreja. Santo Ambrósio afirmava que nos Salmos se encontram todos os mistérios da religião cristã, tudo o que os profetas vaticinaram, a graça das revelações, os testemunhos da ressurreição de Jesus Cristo, e os meios para confessar e detestar os pecados.

Você sabia?


O Salmo 117 é o capítulo mais curto da Bíblia, e o Salmo 119 é o mais longo.

O Salmo 117, com apenas dois versículos, é o capítulo mais breve de toda a Escritura, mas contém um convite universal ao louvor divino. Já o Salmo 119, com 176 versículos, é o mais extenso capítulo da Bíblia. Trata-se de um poema acróstico composto por 22 estrofes de 8 versículos cada, correspondendo às 22 letras do alfabeto hebraico. Todo o salmo é um elogio à Lei de Deus e ao amor pela Palavra divina.

Matusalém viveu 969 anos, sendo a pessoa mais longeva mencionada na Bíblia.

Segundo o Livro do Gênesis, Matusalém foi o homem que mais viveu entre os patriarcas antediluvianos, alcançando 969 anos. Seu nome tornou-se sinônimo de longevidade extrema em diversas línguas. Os comentadores explicam essa idade extraordinária pela pureza do clima primitivo, pela frugalidade da alimentação e pela vontade divina de propagar rapidamente a espécie humana e conservar perfeitas as tradições religiosas nos primeiros tempos da humanidade.

A Bíblia contém cerca de 3.500 promessas de Deus aos homens.

Ao longo de ambos os Testamentos, Deus fez aproximadamente 3.500 promessas registradas na Escritura. Essas promessas abrangem desde a vinda do Messias e a salvação eterna até a proteção cotidiana, a provisão material, a sabedoria e a paz interior. A fidelidade de Deus às suas promessas constitui um dos temas centrais da Bíblia e o fundamento da esperança cristã.