Joana d'Arc nasceu por volta de 1412 em Domrémy, pequena aldeia do nordeste da França, filha de Jacques d'Arc e Isabelle Romée, camponeses piedosos e de vida honesta. Não aprendeu a ler nem a escrever, mas foi educada desde pequena no amor ao catolicismo e nos seus ensinamentos pela mãe, mulher de reconhecida piedade. Era uma menina direita, recatada e obediente, que ajudava nos trabalhos do campo e frequentava devotamente a igreja de sua paróquia. Nasceu em meio à Guerra dos Cem Anos, quando grandes porções do território francês estavam sob domínio inglês e o legítimo herdeiro do trono, Carlos VII, ainda não havia sido coroado rei. Por volta dos doze ou treze anos de idade, enquanto rezava, começou a ouvir vozes misteriosas que identificou como sendo de São Miguel Arcanjo, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia. Estas vozes a instruíam a libertar a França do domínio estrangeiro e a conduzir Carlos VII até Reims para ser coroado. Joana chorou ao receber o chamado, pois queria que os santos a levassem consigo para o Céu, mas obedeceu à vontade de Deus.

Com cerca de dezessete anos, seguindo as instruções das vozes celestes, Joana deixou a casa paterna e apresentou-se a Carlos VII, revelando-lhe coisas que somente o Céu poderia ter-lhe comunicado. O Delfim enviou-a a Poitiers para ser examinada por um conselho de teólogos, que a declararam boa católica e de reta intenção. Mulheres designadas pela corte verificaram sua virgindade, confirmando que poderia ser a virgem salvadora da França prevista em antigas profecias. Em 1429, Joana partiu para libertar a cidade de Orléans, sitiada pelos ingleses, carregando um estandarte branco com os nomes de Jesus e Maria e uma imagem do Pai Eterno. Ela jamais empunhou a espada com o intuito de matar; seu papel era inspirador e estratégico. Implementou a participação dos soldados na Santa Missa e nos sacramentos, expulsou as prostitutas do acampamento militar e exortava todos à oração e à confissão antes das batalhas. Após apenas nove dias, Orléans foi libertada, elevando a moral das tropas francesas. Em julho do mesmo ano, Joana conduziu Carlos VII a Reims, onde foi solenemente coroado rei da França na catedral.

Em maio de 1430, Joana foi capturada pelos borguinhões, aliados dos ingleses, e vendida a estes por uma elevada quantia. Foi encerrada numa prisão em Ruão e submetida a um processo conduzido por um tribunal eclesiástico sob influência inglesa, presidido pelo bispo Pierre Cauchon, homem de costumes duvidosos e comprometido com os interesses dos ocupantes. As acusações contra ela incluíam heresia, feitiçaria e o uso de roupas masculinas. Durante meses de interrogatórios, Joana respondeu aos juízes com admirável firmeza e simplicidade, mantendo sempre a fidelidade às suas vozes e à Igreja. Quando lhe perguntaram se estava em estado de graça, ela respondeu com sabedoria que ficou registrada nos autos do processo, a saber, "Se não estou, Deus me queira colocar; se estou, Deus me queira guardar nela". Joan of arc interrogation

No dia 30 de maio de 1431, aos dezenove anos de idade, foi levada ao mercado velho de Ruão e queimada viva. Presa ao poste, apertava uma cruz sobre o coração e invocava repetidamente o nome de Jesus, que pronunciou seis vezes até seu último suspiro. Os presentes ficaram tão impressionados que o próprio carrasco, ainda naquela tarde, procurou um frade dominicano para se confessar, dizendo compungido que havia matado uma santa.

Cerca de vinte e cinco anos após sua morte, em 1456, sob a autoridade do Papa Calisto III, foi aberto um processo de nulidade que recolheu depoimentos de testemunhas, juízes e teólogos, todos favoráveis a Joana. A sentença declarou nula a condenação e proclamou sua inocência, reconhecendo que ela fora vítima de um julgamento político movido por clérigos heréticos a serviço dos inimigos da França. A devoção popular à Donzela de Orléans nunca cessou ao longo dos séculos. Em 1869, o bispo de Orléans solicitou a Roma o início do processo de beatificação. Joana foi beatificada pelo Papa São Pio X em 18 de abril de 1909 e canonizada pelo Papa Bento XV em 16 de maio de 1920, quase cinco séculos após seu martírio. Stilke Hermann Anton   Joan of Arc's Death at the Stake

Na bula de canonização, Bento XV declarou que ela suportou tudo, até uma morte cruel e injusta, por obediência à vontade de Deus, e que seu exemplo ensina a todos os cristãos que tal obediência é santa e devota. Em 1922, o Papa Pio XI a declarou padroeira da França. Santa Joana d'Arc foi canonizada como virgem, título que ela mesma considerava o mais precioso dom de Deus, guardado com humildade e confiança como promessa feita a Nosso Senhor.

O Papa Bento XVI, em catequese dedicada a Santa Joana d'Arc, destacou que o nome de Jesus, invocado por ela até os últimos instantes de sua vida terrena, era como um contínuo respiro de sua alma, como a batida de seu coração, o centro de toda a sua existência. Ela compreendeu que o amor abraça toda a realidade de Deus e do homem, do Céu e da terra, da Igreja e do mundo. O Pontífice recordou ainda que Joana consagrou sua virgindade de modo exclusivo ao único amor de Jesus, guardando-a de corpo e de alma como valor supremo, mais precioso que a própria vida. Sua existência permanece como exemplo luminoso de santidade para os leigos comprometidos na vida pública, mostrando que a libertação de seu povo foi obra de justiça humana cumprida na caridade, por amor a Jesus. A jovem camponesa que ouviu as vozes do Céu e obedeceu até o fim, mesmo diante da fogueira, ensina que ser santo significa seguir o caminho de Cristo, respondendo ao chamado de Deus com total confiança e abandono.